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REFLEXÃO SOBRE A CULPA




Um dos sentimentos que mais prejudica a harmonia e o equilíbrio da mente é a culpa. Equivocadamente entendemos como culpa um sentimento de algo não realizado, não dito, não demonstrado. Em uma análise mais profunda, a culpa é a raiva com outra roupagem. Sentir-se culpado é a maneira que o Ser traz à consciência a raiva contida, não expressada.
A culpa cristaliza, paralisa o Ser a buscar uma saída para seu conflito.
Quando não valorizamos o que sentimos, utilizamos mecanismos destrutivos ao equilíbrio como a culpa, o desânimo (medo de mudar) e as doenças (processos alérgicos, insônia, problemas gástricos e cardíacos e outros). Nosso corpo não sabe mentir, através de nossos gestos, nossa fala, nossa expressão facial, revelamos ao outro o que sentimos e como somos. Precisamos aprender a legitimar o sentimento, a reconhecer o que precisa ser mudado, então daremos um grande passo a maturidade emocional.
A resistência à mudança é reflexo desta imaturidade.
Quando crianças resistíamos às imposições através de birras, choro, mau humor. Quando crescemos muitos de nós mantivemos este comportamento, mas com outro comportamento, um deles é a culpa (a raiva não expressada).
A culpa vem acompanhada de remorso e o primeiro caminho é o autoperdão.
O segundo passo é a reparação, exercitando o sentimento de compaixão, humildade e simplicidade.
Clarice Lispector grande escritora e poeta, nos brinda com este poema onde exercita o autoconhecimento:

Já escondi um AMOR com medo de perdê-lo, já perdi um AMOR por escondê-lo.
Já segurei nas mãos de alguém por medo, já tive tanto medo, ao ponto de nem sentir minhas mãos.
Já expulsei pessoas que amava de minha vida, já me arrependi por isso.
Já passei noites chorando até pegar no sono, já fui dormir tão feliz, ao ponto de nem conseguir fechar os olhos.
Já acreditei em amores perfeitos, já descobri que eles não existem.
Já amei pessoas que me decepcionaram, já decepcionei pessoas que me amaram.
Já passei horas na frente do espelho tentando descobrir quem sou, já tive tanta certeza de mim, ao ponto de querer sumir.
Já menti e me arrependi depois, já falei a verdade e também me arrependi.
Já fingi não dar importância às pessoas que amava, para mais tarde chorar quieta em meu canto.
Já sorri chorando lágrimas de tristeza, já chorei de tanto rir.
Já acreditei em pessoas que não valiam a pena, já deixei de acreditar nas que realmente valiam.
Já tive crises de riso quando não podia.
Já quebrei pratos, copos e vasos, de raiva.
Já senti muita falta de alguém, mas nunca lhe disse.
Já gritei quando deveria calar, já calei quando deveria gritar.
Muitas vezes deixei de falar o que penso para agradar uns, outras vezes falei o que não pensava para magoar outros.
Já fingi ser o que não sou para agradar uns, já fingi ser o que não sou para desagradar outros.
Já contei piadas e mais piadas sem graça, apenas para ver um amigo feliz.
Já inventei histórias com final feliz para dar esperança a quem precisava.
Já sonhei demais, ao ponto de confundir com a realidade... Já tive medo do escuro, hoje no escuro "me acho, me agacho, fico ali".
Já cai inúmeras vezes achando que não iria me reerguer, já me reergui inúmeras vezes achando que não cairia mais.
Já liguei para quem não queria apenas para não ligar para quem realmente queria.
Já corri atrás de um carro, por ele levar embora, quem eu amava.
Já chamei pela mamãe no meio da noite fugindo de um pesadelo. Mas ela não apareceu e foi um pesadelo maior ainda.
Já chamei pessoas próximas de "amigo" e descobri que não eram... Algumas pessoas nunca precisei chamar de nada e sempre foram e serão especiais para mim.
Não me dêem fórmulas certas, porque eu não espero acertar sempre.
Não me mostre o que esperam de mim, porque vou seguir meu coração!
Não me façam ser o que não sou, não me convidem a ser igual, porque sinceramente sou diferente!
Não sei amar pela metade, não sei viver de mentiras, não sei voar com os pés no chão.
Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra SEMPRE!

Pense nisso!
Votos de luz e altos vôos
Lorete

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